4 de jan de 2013

Morte e vida de Charlie St.Cloud - Ben Sherwood

Ficha técnica


Título nacional: Morte e vida de Charlie St.Cloud
Título original: The death and life of Charlie St.Cloud
Autor: Ben Sherwood
Editora: Novo Conceito
ISBN: 978-85-63219-18-3
Ano de lançamento: 2004
Lançamento no Brasil: 2010
Páginas: 304
Classificação:


Um coração dividido entre dois mundos. 

Em uma pacata vila de pescadores na Nova Inglaterra, Charlie St.Cloud cuida dos gramados e monumentos de um antigo cemitério onde seu irmão mais jovem, Sam, está enterrado. 
Após sobreviver ao acidente de carro que tirou a vida de seu irmão, Charlie recebe um dom extraordinário: ele consegue enxergar, conversar e até mesmo brincar com o espírito de Sam. É neste mundo místico que entra Tess Carroll, uma cativante mulher treinando para navegar sozinha ao redor do mundo em um veleiro. O destino faz com que seu barco seja apanhado por uma violenta tempestade, trazendo-a assim para a vida de Charlie. Sua bela e incomum ligação os leva a uma corrida contra o tempo e a uma escolha entre a vida e a morte, entre o passado e o futuro, entre apegar-se ou deixar o passado para trás - e a descoberta que milagres podem acontecer se nós simplesmente abrirmos nossos corações.

Um dos livros mais leves e de fácil compreensão que eu li em 2012.

Nem todas as pessoas conseguem superar a morte de alguém querido e seguir em frente, e assim foi com Charlie ao perder em um acidente de carro - onde ele era o motorista - o irmão mais novo Sam, e seu cãozinho Oscar.

Fatalmente o carro é atingido por um caminhão diretamente do lado de Sam, Charlie também sofre com o impacto, mas é trazido de volta a vida pelos paramédicos, e é nesse momento que ele ganha seu "dom" de interagir com espíritos.

Por ter esse dom, e por se sentir culpado pela morte de Sam, algum tempo depois do ocorrido, Charlie começa a trabalhar como zelador do cemitério onde o menino foi enterrado, assim, além de passar mais tempo com o garoto, ele pode cumprir com a promessa que havia feito - treinar beiseboll diariamente com o irmão durante uma hora ao por do sol.

13 anos se passam, e assim Charlie segue seus dias, com essa rotina calculada, ditada pelo por do sol e pela promessa de nunca abandonar Sam, sem almejar mais, sem sonhos e sem expectativa nenhuma de sair da mesmice.

É nesse cenário de paz, ordem e rotina que aparece na vida de Charlie a doce e destemida Tess Carroll, uma jovem bonita que quer desbravar o mundo em seu veleiro.

Encantado com a simpatia e força de vontade de Tess, eles se envolvem, dão muita risada juntos, passam a noite juntos, porém, o que nem Charlie e nem Tess sabem é que embora tudo pareça real - e quando digo real, é real mesmo - é que Tess está no limiar entre vida e morte, pois seu veleiro foi atingido por uma forte tempestade e ela está desacordada.

Seu corpo está inerte, quase sem vida, porém, seu espírito está vivo, e é esse espírito sedento por vida, por amor e por tudo de bom que a vida tem a oferecer, que se envolve com Charlie.

A localização do veleiro é incerta, e a única pessoa que pode ajuda-los é Sam, que a essa altura já está mordido de ciúmes, se sentindo deixado de lado pelo irmão que prometera nunca o abandonar.

Sam precisa fazer sua escolha entre ajudar ou não, e Charlie precisa se decidir entre passado e futuro, se deixará Sam partir - pois se ele não comparecer um dia a um dos encontros, ele jamais verá o espírito do irmão novamente - ou se deixará Tess partir.

O amor entre Tess e Charlie é sobrenatural, e é sobre isso que o livro fala, sobre amores, escolhas e segundas chances, pq embora todos nós possamos errar e continuar errando, todos também temos a chance de recomeçar e escrever para a própria história um final diferente e surpreendente, como no livro!

A história é linda, eu jamais li algo relacionado ao amor verdadeiro de dois irmãos, que mantém laços até no pós morte, o romance com Tess é suave e gostoso de ver se desenvolver, e segundas chances sempre me atraem, pq eu acredito piamente que o ser humano pode mudar, basta querer.

Explora muito bem o lado familiar, as descrições são muito verossímeis, tão verdadeiras que é como se fossemos parte da história, são tão bem feitas que basta fechar os olhos pra sentir o aroma do mar, ou a chuva molhando o rosto.

É um livro que vale a pena, feito para pessoas sensíveis que crêem em milagres e em mudanças.